quinta-feira, 27 de abril de 2017

A casa grande persegue Lula e o povo sofre o golpe (Brasil queima)



        Assisto um golpe em curso que não cessará sua sanha por poder e destruição do povo.
CLT, SUS, INSS e o que mais houver com vontade social será devorado pelo monstro insaciável.              Atônitos, lenientes, ignorantes e impotentes assistimos o monstro vencer, destruir, devorar e gargalhar.

       Globotizados cospem xingamentos e o ódio irradiado por fricção atômica atinge tudo e a todos.            Não há mais pessoas, vejo apenas andrajos entrecortados por gritos de horror e de torpor.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

LIVRE A GIRAR






Esqueço chaves,

Relógio,

Tempo ,

Ofensas,

Tristezas

E carteiras.

Certo dia,

Eu, de tão distraído

Perdi um amor.

Um tempo esquecido,

Interno de uma gaveta qualquer.

Depósito lotado,

Guarda-chuvas solitários.

Um desses atrevidos

Desvencilhou-se dessa opressão.

Guiado pelo vento

Girava em diagonal

Sob uma azulada manhã.

Céu leve de outono.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Parras poéticas





Como folhas do outono,

Um visgo de poesia

Desapega-se da pena.

Frases florescem em mim,

Ecos secretos segredando

Pétala por pétala

Memorias passadas, vindouras.

Parras sobre um corpo estranho,

Eclodindo em miasmas sem fim.

Palavras que profiro.



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Happy hour









O sol

Solicitando presença

Solapando tristezas

Entre nuvens gris

O sol

Solidário do dia

Soltando magia

A noite por um triz

O sol

Testemunha do acaso

Tez tíbia, ocaso

Trevas criando raiz











terça-feira, 17 de janeiro de 2017

                  
Quem te vê assim, com tanta imponência e sobriedade, não sabe que por trás de todas essas afeições que a vida deixou em você, esse jeito de quem não precisa de ninguém, mesmo assim eu sei que no fundo você gosta mesmo é de ser cuidada, e daquele cafuné cuidadoso para conseguir dormir em paz. Esse seu sorriso lindo esconde bem o semblante, muitas vezes de desânimo e tristeza, quando lhe conheci não precisei  tomar dois copos de chope com você em uma mesa de um bar para conseguir um passe livre para ver tamanha fragilidade. Existem minúcias que somente os olhares mais aguçados  são capazes de reconhecer.

É preciso mais do que tato, para se compreender a imensidão do outro. Noites em claro, dias nublados, falta de grana, banho de chuva, silêncio ou muito barulho. Dias assim todos temos. Mas aos meus olhos todos os  seus disfarces não foram capazes de cobrir a sua verdadeira essência. Pra mim não é o tempo nem a oportunidade que determinam a intimidade, é só a disposição e a importância que você dá. Quatro anos podem ser insuficiênte para conhecer certas pessoas, e quatro meses mais do que suficiente para outras. Mas não pense que você é previsível, ninguém sai por aí vestido de previsibilidade.  Como na velha parábola, " Para conhecer as borboletas primeiro deve-se ansiar com a mesma intensidade pelas lagartas." Tudo tem um propósito...


Hoje ha cada dia te conheço um pouco mais e sei como é difícil sustentar toda essa pose de indiferença com o mundo lá fora quando a sua insegurança muitas vezes grita e você pede um pouquinho mais de calma. Mas está tudo bem. Ninguém precisa saber disso, porque "nenhum grande guerreiro anuncia aos quatro ventos o seu ponto fraco. Aqueles que desejam vencer a batalha junto a ele, descobrem, entendem, e aceitam."

A magia de te ver assim, aos meus olhos, é que fico imaginando quantas coisas você também foi e é capaz de enxergar sobre mim. Para cada pessoa que cruza o nosso caminho a gente é um ser diferente, eu nunca fui assim com ninguém, e cada um teve e tem de mim aquilo que cativou.  Acontece que para algumas pessoas que cruzam a nossa vida, nenhum detalhe passa despercebido, e com você nada passa. É simplesmente incrível como a gente se mostra sem querer, aí quando já se viu nossos segredos,eles já se moldaram na aceitação do outro e tudo virou uma coisa só, é o que a gente carinhosamente chama de parceria. As vezes é preciso tempo para os sentidos se ajustarem. Nada é o que parece a primeira vista.


É quase como ir ao cinema. Alguém passa o filme que a gente escolheu na tela e à medida que o enredo se desenvolve a plateia decide se vale a pena continuar até o final ou se desiste da trama e vai comer uma pizza na esquina. Se alguém te deu um ingresso para o filme da sua vida, compre uma pipoca e sinta-se muito honrada. Com sucesso, antes dos créditos finais você já conseguiu se ver nos gestos, nas inconsistências, nos sorrisos tímidos daquele protagonista.

Amei você, não pelo que você poderia me oferece ou pelo que ainda poderá, mas por tudo aquilo que você me permitiu descobrir sobre você.


O convite é para você que se olha todos os dias e as vezes fica em dúvida sobre quem é realmente. Se permita, se encontre, se doe e receba, ame, se permita ser amada, chore e sorria também. Sorte na vida é ter alguém para contar sempre quando precisamos e dividir um pouco da gente também. A nudez mais linda é a do coração, essa não esconde mesmo. E que você seja sempre desta forma, surpreendente, e com a delicadeza incomparável de quem sente muito além daquilo que vê. Cegos são os olhos que se deixam enganar por uma miragem, bonito mesmo é a bagunça do lado de dentro (e tudo aquilo que vejo quando eu olho através de você)...
"Vanessa Nascimento."

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Amor à primeira lida




     Contava sete anos quando me deparei com ela. Empatia recíproca, entre tantos garotos que lhe fizeram a corte, tinha eu grande chance de ser seu escolhido.
     Era a escola o principal cenário de nossos encontros. Diariamente eram-me reveladas algumas particularidades de sua personalidade, seus meandros e possibilidades. Eram inúmeros.
     Bibliotecas, bancas de revistas, Chico Buarque, Oswaldo Montenegro, Domingos de Oliveria, Glauber Rocha, Aldoux Huxley, George Orwel, Karl Marx e muitos outros que conheci através de seu intermédio fizeram-me ficar mais apaixonado por ela.
     Como saber se era correspondido? Como saber se estava à altura de suas expectativas?
     Como não tinha certeza se teria sucesso ao me declarar para ela, resolvi investir em meu intelecto e conhecimento de mundo. Acreditava que se tivesse leitura e viagem suficiente, conseguiria conquistar seu amor e devotamento.
     Passava o tempo, livros e autores. Cada nova obra que conhecia era um motivo para aumentar minha estima por ela e a incerteza do seu sentimento por mim. Ela era gentil, dócil, amiga, meiga e envolvente. E amor? Ainda não havia resposta.
     Muitas vezes pensara em declarar-lhe minhas intenções e acabar com essa dúvida.
     Em meus devaneios apaixonados, ela tomava a iniciativa e confessava-me que sempre me amou , que o fato de eu lhe admirar já era prova suficiente de amor e de uma união que seria para sempre feliz. Ah, imaginava com tanta concretude que por um átimo essa cena me parecia realíssima.
     Quando atingi a maioridade de meus sentimentos e impulso, entendi que chegara a hora de ser franco, sincero, sem temer a possível rejeição. Ela sabia de meu caráter, minha boa índole e não iria se ofender se lhe expusesse meus recônditos sentimentos.
     Com voz melíflua, em um fim de tarde com o rosto contra a luz segredei-lhe anos de paixão, devotamento e ardoroso amor apaixonado.
     Contei-lhe os inúmeros livros que lera, discos que ouvira, peças teatrais que assistira, debates culturais que participara no afã de estar à sua altura, cultural e sentimentalmente ,e assim, confessar todas as sentimentalidades de enamorado, que fora cativado por ela, enfim, contei-lhe que a amava.

     Ela, como resposta, dissera que o amor sempre esteve entre nós. O amor sempre estará entre cada vírgula e reticências de nossas efêmeras vidas. Assim tornei-me amante da palavra.



sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Tecnologia da letra




       A tecnologia pode ser entendida como a aplicação do conhecimento do homem para a resolução de um problema ou dificuldade. Independe da época ou situação cultural em que ele esteja inserido.
      Quando certa tecnologia é descoberta e divulgada para os demais, acarreta em mudanças irreversíveis na sociedade, e, o tempo em que ela não existia torna-se um marco ultrapassado, enfim, cria-se um novo paradigma.
      Um exemplo de tecnologia que ampliou as possibilidades foi a invenção da tipografia por Johannes Gensfleish Zur Laden Zum Gutemberg.
      A tecnologia desenvolvida por Gutemberg mudara para sempre a forma como os homens relacionavam-se com a informação e o conhecimento. Através de Gutemberg, os livros, manuscritos, possuídos por poucos, disseminaram-se em proporção  nunca antes imaginada, o que contribuiu muito para o desenvolvimento da moderna economia baseada no conhecimento.
      Concomitantemente com a proliferação do conhecimento, que antes calcava-se na oralidade para ser transmitido, o invento de Gutemberg fez o homem valorizar mais a imagem que o som, em outras palavras, o homem “auditivo” tornou-se “imagético”, por que o conhecimento que era oral passou a ser adquirido pelas imagens fornecidas pela letra da palavra impressa.
      Marshal Mc Luham em seu livro A galáxia de Gutemberg já apontava na década de 60 as mudanças que a tipografia causara no homem. O fato de o livro impresso ser produzido em grande escala, atingindo um número maior de leitores, fez o ser humano direcionar seu foco de entendimento, especializar-se em apenas um segmento do conhecimento, fato inimaginado antes da invenção da prensa.
      Os homens “multifuncionais” da renascença, como Leonardo da Vinci e outros, não se desenvolverão na era pós Gutemberg. O homem especialista é o que imperou e continua até nossos dias.
      O fato de a palavra impressa ter mudado o modo de o homem perceber e produzir conhecimento também fora o responsável por criar inventos em proporções que ultrapassam, em muito, os inventos criados antes da era gutemberguiana.
      Se por um lado a tecnologia da prensa fizera o homem produzir inventos em escala geométrica, por outro, fez esse mesmo homem isolar-se no que chamamos de aldeia global. O homem “gutembergueano” isola-se em sua especialização, dialoga apenas com seus pares, dificilmente expande seus conhecimentos devido ao individualismo trazido pelo livro impresso.
      Antes da invenção da prensa, a leitura era feita em voz alta e na maioria das vezes era uma ação coletiva, após a chegada do livro impresso, ocorreu o contrário, e, até os dias de hoje, as imagens das letras impressas no livro fazem o homem isolar-se para obtenção de conhecimento e, com isso, alterar sua interação social.

      A tecnologia contribui em muito com o desenvolvimento do homem, mas seus efeitos isolacionistas podem ser observados. É possível afirmar que as contribuições foram mais positivas que negativas na atual sociedade em que a imagem adquiriu mais importância que o som. Sociedade “gutemberguiana”.