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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Tecnologia da letra




       A tecnologia pode ser entendida como a aplicação do conhecimento do homem para a resolução de um problema ou dificuldade. Independe da época ou situação cultural em que ele esteja inserido.
      Quando certa tecnologia é descoberta e divulgada para os demais, acarreta em mudanças irreversíveis na sociedade, e, o tempo em que ela não existia torna-se um marco ultrapassado, enfim, cria-se um novo paradigma.
      Um exemplo de tecnologia que ampliou as possibilidades foi a invenção da tipografia por Johannes Gensfleish Zur Laden Zum Gutemberg.
      A tecnologia desenvolvida por Gutemberg mudara para sempre a forma como os homens relacionavam-se com a informação e o conhecimento. Através de Gutemberg, os livros, manuscritos, possuídos por poucos, disseminaram-se em proporção  nunca antes imaginada, o que contribuiu muito para o desenvolvimento da moderna economia baseada no conhecimento.
      Concomitantemente com a proliferação do conhecimento, que antes calcava-se na oralidade para ser transmitido, o invento de Gutemberg fez o homem valorizar mais a imagem que o som, em outras palavras, o homem “auditivo” tornou-se “imagético”, por que o conhecimento que era oral passou a ser adquirido pelas imagens fornecidas pela letra da palavra impressa.
      Marshal Mc Luham em seu livro A galáxia de Gutemberg já apontava na década de 60 as mudanças que a tipografia causara no homem. O fato de o livro impresso ser produzido em grande escala, atingindo um número maior de leitores, fez o ser humano direcionar seu foco de entendimento, especializar-se em apenas um segmento do conhecimento, fato inimaginado antes da invenção da prensa.
      Os homens “multifuncionais” da renascença, como Leonardo da Vinci e outros, não se desenvolverão na era pós Gutemberg. O homem especialista é o que imperou e continua até nossos dias.
      O fato de a palavra impressa ter mudado o modo de o homem perceber e produzir conhecimento também fora o responsável por criar inventos em proporções que ultrapassam, em muito, os inventos criados antes da era gutemberguiana.
      Se por um lado a tecnologia da prensa fizera o homem produzir inventos em escala geométrica, por outro, fez esse mesmo homem isolar-se no que chamamos de aldeia global. O homem “gutembergueano” isola-se em sua especialização, dialoga apenas com seus pares, dificilmente expande seus conhecimentos devido ao individualismo trazido pelo livro impresso.
      Antes da invenção da prensa, a leitura era feita em voz alta e na maioria das vezes era uma ação coletiva, após a chegada do livro impresso, ocorreu o contrário, e, até os dias de hoje, as imagens das letras impressas no livro fazem o homem isolar-se para obtenção de conhecimento e, com isso, alterar sua interação social.

      A tecnologia contribui em muito com o desenvolvimento do homem, mas seus efeitos isolacionistas podem ser observados. É possível afirmar que as contribuições foram mais positivas que negativas na atual sociedade em que a imagem adquiriu mais importância que o som. Sociedade “gutemberguiana”.





quinta-feira, 9 de abril de 2015

VAI SABER!!!


Eu queria entender certas coisas...
Não, mas eu acho que tem coisas que parecem não ter razão, não ter razão de você fazer, ou ficar... Ficar com uma pessoa de novo que você já teve algo mas acabou, ou dar abertura para ela parar nem se for um segundo em sua vida de novo, mesmo você não entendo o por que disso tudo...O porque de ter mil pessoas a sua volta mas uma vez no mês nem se for você lembra daquela pessoa.  Você pode estar com alguem ou com mais pessoas, mais necessitar voltar naquela que já passou, mas marcou e que era pra ser passado, e por que tem a necessidade, ou a coragem de lembrar do beijo, cheiro e mais ainda pra ligar... Destino ? Não sei, mas temos que compreender que tem coisas que nunca iremos entender, coisas sem razão que no impulso fazemos, que nos fazem rir e chorar, que nos fazem felizes e tristes... Que fazem a gente sentir ao mesmo tempo diferentes sensações. Talvez em cada reencontro tenha aquela sensação do primeiro, aquele frio na barriga  e ao olhar nos olhos dela pensa, mas porque ? E não acha a resposta. Talvez nem se for, só 1% de sentimento, um sentimento que não tem explicação... Talvez porque ela faz lembrar o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo."

quinta-feira, 2 de abril de 2015

TUDO PASSA...










Os dias correm numa rapidez absurda. Não nos resta tempo para notar o que acontece lá fora. Claro, se não enxergamos nem aqui dentro, que dirá perceber alguém ou algo ao redor. Parece que estamos constantemente ligados no botão automático, emendando compromissos, fazendo, cumprindo, buscando. A vida passa diante dos nossos olhos e, num raro momento em que nos desconectamos de alguma tomada, nos surpreende.


Passamos anos, décadas, compartilhando o nosso existir com as pessoas, dividindo os acontecimentos, as intimidades, as dúvidas e os sonhos, para depois nos tornarmos completos desconhecidos. Existem pessoas que se perdem no meio do caminho e nunca mais são encontradas.


Há alguns anos andávamos com gente que já nos foge o nome, que tínhamos a certeza de que seríamos inseparáveis e no entanto nunca mais nos vimos, nem sequer nos falamos. Quem não gostávamos, hoje adoramos, e vice versa. Uns não eram como acreditávamos, outros mudaram com o tempo. De religião, de partido político, de estado civil, de casa, de emprego, de opinião. Os sonhos de liberdade ficaram presos em algum coqueiro naquela praia. As gargalhadas que viam o dia amanhecer foram substituídas pelas risadas sozinhas de algo bobo antes da meia noite, porque amanhã é dia de levantar às seis para ir trabalhar. É, eu também mudei.


Talvez eu era feliz e não sabia. Ou sabia, e por isso era tão feliz. Hoje já não cabe mais aquela alegria pura e singela sem motivo, porque algumas sabedorias e vivências proporcionaram experiência suficiente para distinguir momentos e pessoas, assim como felicidade plena e contentamento passageiro.


A felicidade hoje parece muito mais densa do que era antes. Ela anda pesada e se agarra nos outros. Não é o mesmo garoto de antes, de riso solto, andar leve.




O seu caminhar é cansado, no olhar as decepções embaçaram um pouco a vista. Algumas marcas de expressão e um coração com cicatrizes não combinam com a leveza de outras épocas.


O tempo passa para todos nós. Perde-se o frescor da juventude para ganhar maturidade e sabedoria. Impulsividades cederam lugar às cautelas, enquanto as irresponsabilidades ganharam o peso dos compromissos. Faz parte do milagre de estarmos vivos, caminhando, perseverando, esperando, sonhando. A vida só faz sentido quando as peças se juntam, quando o passado explica o presente, quando o hoje reflete o ontem, e o amanhã surge com um novo sol clareando as pegadas de um caminho aberto e, ao mesmo tempo, já trilhado.


Nossa trilha é feita de ciclos, que se encerram e recomeçam, pessoas que vêm e trazem um pouco delas para dentro de nós, outras que passam e levam embora um pedaço da gente. Independentemente do quanto nos roubam ou nos presenteiam, é a troca que rege o existir, a doação nossa com o mundo e o que ele nos regala, o intercâmbio de ações e sentimentos.


Portanto, para receber é preciso estar preparado para dar, sem ignorar a certeza de que nada é definitivo e tudo é passageiro...

domingo, 25 de janeiro de 2015

RAZÃO e/ou CORAÇÃO?


"Hoje desafio o mundo sem sair da minha casa...
hoje sou um homem mais sincero e mais justo comigo..."


Era um alento com certeza, uma sensação de alivio. Um peso a menos nas costas. Sentia a leveza da sinceridade e autenticidade - honestidade com a minha própria existência.

Tenho a consciência de que o caminho não será fácil. Sei que na verdade o próprio caminho é o meu objetivo em si. O inicio, o meio, e o fim como um só. Pessoas que me amam erguerão suas pestanas, questionando se é o melhor jeito. Pessoas que me conhecem superficialmente vão me incentivar. Várias desejarão a minha coragem e entrega.

Se eu pudesse escolher, certamente não escolheria esse amor.

"...mas se o sangue ainda corre nas veias, é por pura falta de opção"

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Coisa triste é querer se concentrar em algo que não lhe capta a atenção/paixão. Não sei se por posts de facebook ou fruto de muita reflexão, aceitei o fato de que todo homem deve trabalhar onde mora a sua criatividade. E todas as suas segundas-feiras serão abençoadas.

Mas e o pão, confrades? Credores não se levam por nobres sentimentos. Se a atividade não é (palavra nova) remuneradamente boa, como conciliar essa guerra?

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Atrasado como sempre para aula de matemática básica do 1° semestre do curso de Engenharia mecatrônica, ouço em alguma estação Geddy Lee cantando em Closer to the hearth:

"E os homens que ocupam postos elevados,
Serão os primeiros a moldar uma nova realidade,
Mais próxima do coração...

O ferreiro e o artista, refletem isso na sua arte
Eles forjam suas criatividades, mais próximas do coração..."

Sou cauteloso em relação a sinais - milagres existem, só não os procuro nem os fabrico de acordo a minhas carências. Senti vontade de ter escrito uma letra dessas, de ter musicalizado essa mensagem. De ter botado a banda que toca incessantemente dentro da minha cabeça em prol dessa composição. Senti vontade de ter uma caneta, uma folha, e uma guitarra desligada no meu colo, para compor aquela ideia de som que tive há duas semanas atrás e estava lá no meu caderno de composições, esperando a hora em que se tornaria uma grande massa sonora.

É preciso coragem para começar. E mais coragem ainda para mudar uma rota em percurso. E muito mais coragem para seguir um caminho que dentro da nossa querida sociedade, não dá status.

Se cada um de nós deve seguir o seu caminho, a sua peregrinação, acho que iniciei o meu caminho de Santiago. 


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Sempre quis cursar uma faculdade, mas sempre priorizei outras coisas antes - noivado, casa, sair de casa. Precisei de 32 anos da minha vida para "pedir em casamento" aquela que mais amei.

E agora com esse comprovante de matricula no curso de música do IPA na mão, espero que o meu turbulento Retorno de saturno tenha fim.

E que eu finalmente possa descansar em paz - mais próximo do meu coração.

terça-feira, 15 de julho de 2014

QUEM SOFRE O PECADO ?


          O conceito de pecado é interessante. Eu como descendo dos silvícolas, compreendo a dificuldade de meus antepassados em compreenderem esta latina palavra.
        Não é a palavra em si, mas sua amplitude semântica, melhor traduzindo, o conjunto de elementos que compõem esse sentido.
        Hoje, ano de 2013, posso dizer que algo errado e pecado deveriam ser sinônimos. Não é! É muito mais.
        É possível afirmar que pecado é uma ação. Se há uma ação deve haver quem a cometa e quem  sofre seus efeitos.

       Como se chama quem sofre a ação do pecado?


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Ele conheceu ele.




        Pela primeira vez ele teve coragem de realizar um ritual místico. Lembrou que Marcelo Motta da O.T. O recomendou: quer se conhecer? Pratique expansão mental.
        Ele não via a expansão mental no sentido pejorativo e sim como um atalho para o autoconhecimento.
        Santo Daime, Jurema, União do Vegetal e outros conseguiram canalizar os benefícios da evolução que proporciona conhecer a si mesmo através de certas substâncias.
        Lembrou-se do que ocorreu com o ator cômico de programa popular humorístico Eduardo S. O ator realizou o ritual do Santo Daime e sua única vontade era ficar só. Pode-se presumir que o contato com ele mesmo não foi bom.
        Deve-se considerar que em muitos casos pode ser o enjoo que a gestão do chá do ritual pode causar, mas, o citado rapaz não se queixou de enjoo. Será que ele não se causou uma boa primeira impressão?
        Apesar do exemplo citado ele realizou pela primeira um ritual místico. Pedras do Roncador, agua da lagoa encantada e a caverna escondida ao pé da serra foram suficientes.
        Ele conheceu-se, adorou-se e por fim ficaram amigos. Começara aí uma eterna amizade.



segunda-feira, 30 de junho de 2014

ÉRICA





E Érica abre a janela do seu quarto
Fica feliz em saber 
Que será mais um dia de sol
Pensa no seu dia, trabalho
Faculdade, seu amor
Aquela conta que esqueceu do mês, que já acabou

...

"És eternamente responsável, por quem cativas"
"Controle suas emoções ou elas vão te controlar"
Lembra dos conselhos do seu velho, 
E decide que, no finde vai visitar seu pai

.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( Parte V final )




    Maurinho explicou-me que o homem entra em contato com a natureza através da ação sobre ela: - Não é errado arar a terra para produzir seu alimento,  tão pouco produzir excedentes para trocar ou comercializar com o vizinho. Com certeza ele produzirá outro alimento ou algo que será útil a você que poderá ser trocado ou comercializado também.
      Maurinho foi além, disse-me que se deve levar em conta além da subsistência; a existência.
      Ouvindo  voz daquele homem de gestos simples e suaves, educação impecável, soube que estava diante de um grande ser.
     Um ser digno e nobre que herdou uma missão; não digo invejável, mas, louvável e recompensadora: Ser responsável pelo Portal do Roncador, entrada da Serra onde encontra-se um dos mais famosos  picos do roncador, visitado por pessoas do mundo inteiro, chamado de “Dedo de Deus”.
      Maurinho dizia: - O homem não precisa de status. Precisa executar suas vontades nobres. É aí que mora a existência. Em tom professoral continuou:  - subsistência é como subsistir. É uma “quase vivência”. Não chega ser uma vida, subsistir é menos que viver. Se lembrarmos de que a maioria dos brasileiros e outras subnações estão na mesma condição, compreender isso torna-se triste e constrangedor.

                                             (in memorian a Sandro Vedoy da Silva)

quinta-feira, 12 de junho de 2014

FRAGMENTOS DE VIAGEM À CIDADE DE "Z" ( continuação IV )







     Percy Fawcett teria descoberto em suas explorações na América do Sul uma espécie de estátua que descrevia um mapa, tal mapa indicava que na região entre Barra do Garças e Nova Xavantina haveria uma cidade evoluída que mantinha relações extraterrestres. Cidade esta  cuidada pelos índios da região que tinham ética suficiente para conviver com tamanho conhecimento e poder, muito contrário da maioria dos homens de nossa sociedade consumista e capitalista.
     A entrada dessa cidade, uma espécie de Atlanta, se daria no portal do Roncador.
     Portal do Roncador é uma reserva ecológica onde há formações rochosas encaixadas em formato de chaminés de barro, ou melhor descrevendo, picos rochosos de grandes altitudes. O lugar tem desenhos rupestres, escritas de outros povos que a princípio não pertenciam a essa região, aparições ufológicas, pontos de luz e inúmeras ordens esotéricas. Lá conheci Maurinho.





segunda-feira, 12 de maio de 2014

MÍDIA E ELEIÇÃO: VENÇA QUEM VENCER




     É possível afirmar que as empresas de radio, televisão e jornal, enfim a mídia nacional tende a ser cooptada pelo poder federal. Não há ideologia nos negócios.
     Assis Chateaubriand idealizou a televisão brasileira de elite para as elites e, para as massas, o acesso ao aparelho viria na velocidade da democracia após 1964, lenta e gradual.
     Mesmo não sendo Chateaubriand a pessoa que recebeu os dividendos por tal investimento, a idealização da T.V elitizada se confirmou. O ideal branco e rico.
     Um observador atento poderá perceber esse fetiche ariano na T.V brasileira ainda nos dias de hoje.
     Lógico que hoje temos uma inegável diversidade, fruto de lutas das categorias alijadas do processo de pertencimento e de consumo que o veículo deve propor.
     Mesmo sabendo que os outros grupos sociais e étnicos seriam a solução para suprir uma demanda reprimida de consumo, a mídia brasileira, principalmente a televisão, relutou em dar acesso a tais grupos.
     Adaptando-se a nova realidade, a T.V não mais utiliza de artifícios para “vender” seu candidato à presidência. Coisa que fez até a segunda eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (Lula).
     Com Fernando Collor de Mello (Collor) e Fernando Henrique Cardoso (FHC) o candidato oferecido fora comprado pela patuleia (Nós).
     A fórmula mostrou-se desgastada com José Serra e Geraldo Alckimim. Ambos por não possuir carisma, coisa que Lula tem de sobra. Mídia vende, mas não faz milagres.
     Em 2014 pode-se notar um tom menos agressivo ou até amistoso com o governo e oposição. O popular “lavar as mão como Pilatos”.
     Essa atitude tem várias Razões óbvias, entre elas a de que após três mandatos petistas mídia e governo já tenham muitos interesses em comum. A outra se refere aos anos que a direita foi companheira da mídia brazuca e uma vitória desta seria a volta dos bons tempos.


     Para a mídia brasileira a eleição presidencial tem o seguinte cenário: quem vencer que vença.





sábado, 3 de maio de 2014

Vida a fora, noite a dentro - 1



Escorado do lado de fora da festa, Gabriel devora um espetinho de carne com um refri que ajuda a não descer a seco, enquanto espera seus parcerias. Conclui que sim, deveria ter ouvido seus pais e trazido uma blusa. Carros vem e vão, eles ainda esperançosos em uma virada na noite, e elas... estavam mais belas no inicio dessa função toda. Hoje ele entende o lixo e o luxo disso.


Avalia a noite (3 e um cel) e onde pode melhorar. Observa uma guria sentada na beira da calçada com a cabeça entre os joelhos repetindo o nome do ex, e fica feliz em saber que sabe fazer festa sem bebida. Uma amiga segura seus cabelos enquanto um desconhecido filma a cena toda em seu smartphone, e pergunta a moça embriagada: “Por acaso tu comeu pizza?”. 


Vê gente alta e baixa, em altura e lucidez. Se questiona em como pode ser engraçado e contraditório, encher um lugar com pessoas vazias (merda... já tô ficando cabeça de novo... vou dar um tempo no Pink Floyd...) e se esforça para não esquecer de anotar isso em seu caderno de composições. É empurrado por pessoas fugindo do início de uma briga – cadeiras e garrafas voando, nada de mais. No meio do bolo enxerga Bruno, um dos parcerias. “6 cara!!! 6 cara!!!” diz entusiasmado ele os fatos/contos, descrevendo como o seu fuckingreatpimp method para pegar mulher é infalível.


Enquanto se diverte com as histórias, avista um dos closes: “Hum... dá pra andar de mão dada e apresentar em casa” pensa em voz alta enquanto ela o reconhece, ri e comenta com as amigas. Ele sorri levemente e sem mostrar os dentes, acena positivamente com a cabeça respondendo ao “me liga” dela – e ganha o respeito de Bruno.


Enfim aparece Leo, emprestando a jaqueta para a ficante – um legitimo gentleman. E se demoram nas despedidas e troca de números. “Será que vamos perder mais um?  não se desgrudam...” diz Bruno. É bem verdade, e a bem da verdade sim, Gabriel sente uma inveja boa da situação. Conversas, beijos, abraços, desliga você, quartadosofá, filme, vem logo, tô com saudade, não demora, to te esperando, planos, tá bom, nada, beiço, ciúme, brigas, idasevindas. Fim, fossa, poço. Amigos, festas, liberdade. 


Leo se solta, e entram no carro já dia claro. A conversa segue até o sono se mostrar mais forte que Bruno e Leo, deixando Gabriel na companhia da estrada e de uma lata de Red Bull. Casa, banho e cama. “Adorei te conhecer, bjo” lê em voz alta a msg recém recebida dela. Percebe como 95% das coisas que planeja não saem como planejado, e mesmo assim, tudo acontece fucking awesomente bem. Responde a msg sem a certeza para onde nem até quando isso tudo vai – e nem como. E quem sabe do que depende?


Do alto da sua imaturidade, tem como certo apenas o fim e o tempo. Para tudo e para todos. E sabe que ventos certos trarão a onda certa - e ela não vai se atrasar, nem se adiantar.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

JAGUAPIRÚ



    No ônibus as 06h15min da manhã. Hora boa para escrever e ouvir bobagens alheia.
    Passo a aldeia Jaguapirú , galinhas na rodovia, casas eternamente em construção e muita pobreza entre os indígenas que  muitas vezes ficam indigentes.
    Cultivo de soja e ausência de árvores e seres humanos permeia na região. Apesar de todos esses fatores, não impede que Dourados seja a maior tribo indígena urbana do Brasil.
    Quem vem de regiões mais desenvolvidas, espera que os índios habitem ocas de palha, andem nus e não tenham qualquer acesso ou conhecimento de ciência ou tecnologia contemporânea.
    Tal discrepância de realidade leva ao preconceito, tão praticado pelo senso comum no qual índio não pode ter tênis, automóvel e muito menos senso de pertencimento onde a terra existe para exercer e afirmar e reafirmar sua cultura, cultuar seus mortos, suas origens que se confunde com sua própria vida.
    Infelizmente instituições composta por cidadãos, pessoas que em sua maioria tem a horrenda cultura do senso comum. Cultura preconcebida e preconceituosa

domingo, 13 de abril de 2014

Como compor letras de músicas (um pretensioso guia/manual)







.... e isto não tem nada haver com inspiração.

Inspiração
é a coisa mais inoportuna que existe. Sempre te pega sem papel ou caneta por perto. Esqueça ela se quiser realmente compor algo.


Composição vem de método e prática. Tem muito mais haver com suor e dedicação.

Deriva de dispor diariamente de 5 minutos à um dia inteiro só para escrever um refrão. Martelar, martelar, martelar...


Até que uma hora ela nasce, depois de um parto criativo. E você olha pra ela, com o olhar de um pai para um filho...

No dia seguinte você até pode pensar em jogar fora. "Nossa, que porcaria!" pode dizer. Antes de cometer esse assassinato, crie coragem e mostre a música à alguém que possa ajudar a melhorar. Aproveite todas as suas idéias.


Agora, se o refrão ou a canção não sai da tua cabeça... parabéns. É provável que muitos cantem ele contigo.



PARTE PRÁTICA

Não é obrigatório ter um tema pré-determinado antes de iniciar a composição, mas limitar até onde ir é melhor para focar nas idéias certas que surgirem para essa temática.


Anote tudo o que surgir na cabeça sobre o tema. Frases, idéias sonoras, dinâmicas... se determinada frase não se encaixa na estrofe que está compondo, talvez ela faça parte de uma passagem ou até do refrão.


Enxergue a composição como um funil... e ele deve sempre apontar para o melhor que a canção pode ser.


Métodos:
- Apartir do refrão
- De cima a baixo
- Apartir do riff

- Apartir da letra pronta

- Apartir da melodia
- Jams

Apartir do refrão
é a forma mais usada para criar canções de trabalho para álbuns. Aquele carro chefe do CD. Ele deve ser "grudento' (no melhor significado da palavra) na parte sonora, e principalmente na letra. O resto da música deve "orbitar" ao redor dele. Crie a estrofe e uma passagem para o refrão. Introdução e uma ponte para o refrão final é bem vinda também.

Compor uma letra de cima a baixo, simultâneamente à melodia talvez seja o método mais instintivo que há, e eu acredito que também o mais utilizado. Composições legais surgem assim, me orgulho de algumas que fiz usando esse método, o "entretanto" é que por surgir sem uma direção definida, ela vai seguir à qualquer lugar... o que não chega a ser um grande problema.

Canções criadas apartir do riff me lembram muito AC/DC. Existem várias outras bandas com certeza, mas converse com o guitarrista da tua banda. Isto é mais com ele...


Na minha nunca-modesta opinião, começar um som apartir da letra pronta é o mais complexo de todos. Nunca me arrisquei a compor desse jeito, pela letra limitar demais a composição sonora. Porém, acho que é o modo mais livre para compor letras. Tente, e deixe a sua banda se virar. Vai que dá certo?


Reza a lenda que Renato Russo escreveu "Indios" apartir da melodia já composta pelo resto da Legião.
É como pegar uma melodia de uma música conhecida e inserir outra letra. ... é um meio muito válido. Não é tão simples quanto deveria ser, por ter que respeitar limitações de compasso e entonação, mas ainda sim é bem útil.

Sobre Jams... se os músicos já têm uma larga bagagem e experiência musical, vai sem medo. Mas acredito que se tu leu até aqui, não é o seu caso... assim como não é o meu também.


DICAS GERAIS


Evite rimas óbvias, brinque com as palavras e ambiências.

Subentendimentos, ambiguidade, irônia e mudanças no andamento vocal são recursos que poucos compositores usam nos dias de hoje. Escrever o que pode ser compreendido de várias maneiras pode ser um tremendo diferêncial nas tuas composições.


Evite mostrar canções inacabadas para alguém que não vai ajudar à completá-las.


Nunca espere a vontade de compor chegar. Esteja ali antes.


Não há nada de errado em compor 3, 4 letras ao mesmo tempo. Quando as idéias param de vir em uma, é porque elas estão em outra.

Ler vai aumentar o teu vocabulário para as composições.

E respeite o tempo de cada composição. Uma composição pode ficar em "gestação" de 10 minutos à anos... letras são atemporais.



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Me perdoe se exterminei todos os teus lúdicos sonhos sobre a letra perfeita vir na hora perfeita. É mais fácil papai noel e coelhinho da páscoa existirem. Afinal, a vida é assim e as nuvens não são feitas de algodão...

E espero de coração que, para qualquer um que queira eternizar suas idéias e reflexões, esta postagem seja útil. No final das contas, vagamos aqui para isso.